Como levar o cachorro da Suiça para o Brasil (de férias e voltar)

fevereiro 13, 2017

Uma das perguntas que mais recebo aqui no blog é como eu trouxe Juca do Brasil pra cá, com quem ele fica quando eu viajo, etc. Bom, como eu trouxe ele pra cá está aqui neste post aqui. Eu sei, é um post antigo, mas ainda serve. Estando o seu cãozinho aqui, muita gente se pergunta como fazer na hora de viajar, principalmente se for para o Brasil, quando sempre passamos um pouco mais de tempo. Desde que o Juca veio pra cá, eu sempre o deixei em um hotelzinho ou com alguém que conheço. Porém dessa vez como era uma viagem bem mais longa, comecei a pensar se não seria melhor leva-lo. Olha, a burocracia não é simples não… mas deu certo! Juca tem 7kg e foi com a gente na cabine do avião na ida e na volta, ficou com a gente lá no Brasil e foi um barato. Nada mais justo, afinal ele já vai fazer 14 anos e é um membro da família.

Mas, então? Como é a burocracia para levar seu cachorrinho da Suíça para o Brasil de férias e voltar pra Suíça?

Primeiro é importante saber que o Brasil ainda está no mapa da raiva e é obrigatório o cachorro ser vacinado contra raiva antes de ir pra lá. Como a doença não existe aqui na Suíça, é preciso provar que essa vacina foi efetiva e o animal está livre da doença através de um exame de sangue, que tem que ser feito pelo menos 30 dias após a vacina e o resultado provar que ele está Ok. É o procedimento obrigatório também para trazer o animal de um país que tem raiva (Brasil) pra cá. E esse exame no Brasil custa caríssimo! Na minha época tinha que ser enviado para São Paulo para análise, pois só lá tem um laboratório acreditado pela União Europeia, etc etc etc.

Como agora é de cá pra lá, ainda é exigido o exame pra provar que ele está sem raiva, mas podemos (devemos) fazer aqui mesmo, antes de ir. Assim ele viaja (e nós viajamos) tranquilo já sabendo que pode retornar. Bem, estando já aqui, o seu animal já deve ter chip e passaporte. Todos os pre-requisitos que eu falei no post sobre como traze-lo pra cá. Mas então, sabendo disso, vamos aos passos que eu segui:

1- Vacinas em dia e vacina contra raiva

Aqui na Suíça como eu disse a vacina de raiva não é obrigatória. Mas se vai viajar para um lugar onde exista a doença, sim. A vacina contra raiva deve constar no cartão de vacina (passaporte) do animal, assim como as vacinas obrigatórias devem estar em dia.

2- Vermifugação

O animal tem que passar também pelo controle de parasita interno e externo 30 dias antes da viagem, o que nada mais é que dois remédios, um para o externo – que é um soro que deve ser colocado atrás do pescoço dele em um dia e a 2a dose 15 dias depois – e o interno, que é um remedinho que se dá junto com a ração. É obrigatório ter o registro da vermifugação no cartão de vacinas. Eu fiz tudo num dia só no veterinário do Juca.

3- Exame de sangue 30 dias após a vacina contra raiva

Voltamos no veterinário 30 dias depois da vacina de raiva para tirar o sangue do Juca e enviar para o laboratório especializado para análise, se ele está livre de raiva. Raiva em Alemão é Tollwut, by the way. A quantidade de sangue a ser retirada é relativamente grande. Segundo o veterinário para alguns cães é preciso dar algo para acalma-los durante o exame. Já o Juca se comportou super bem e aguentou o tranco direitinho. O próprio consultório do veterinário envia o sangue para o laboratório e dentro de 10, 15 dias eles recebem o resultado e nos envia. O exame não é barato. Não lembro exatamente quanto custou, mas foi na faixa de 150-180 francos.

4- Atestado de Saúde

O próprio veterinário emite um Atestado de Saúde (em Alemão: Gesundheitszeugnis) com todos os dados de Juca e certificando que ele goza de boa saúde.

5- Carimbo do “Ministério da Agricultura”

É como se fosse o Ministério da Agricultura, aqui é o Departamento Federal Veterinário do Cantão. Ele precisa verificar tudo isso que eu escrevi aí em cima no passaporte/cartão de vacina do animal e carimbar para atestar que tudo passou por ele.

6- Petição para retornar à Suíça

Temos que preencher um “Gesuch” para pedir o consentimento do órgão que eu falei acima para o animal retornar à Suíça. O formulário está em www.blv.admin.ch.

7- Permissão para entrar de volta na Suíça

Depois de alguns dias eles te enviam um “Bewilligung” que é a permissão para entrar de volta na Suíça, que é o documento que deve ser mostrado no aeroporto na volta.

8- Passagem de avião

Eu paguei a ida e a volta de Juca nos 4 vôos da TAP (2 na ida, e 2 na volta) para ele ir com a gente na cabine. As regras variam de compahia aérea a companhia aérea e a TAP permite que animais (incluindo a caixa/bolsa de transporte) até 8kg viagem na cabine. Mas eu sei que algumas outras cias aéereas permitem menos peso e outras nem permitem, como a Emirates! Então é bom verificar qual as regras da cia aéera e depois seguir todo o procedimento. As passagens custaram 300 e poucos francos.

9- Bolsa de transporte

Juca pesa em torno de 7kg. Não é um cachorro tãão pequeno. Mas sendo o peso máximo 8kg para viajar na cabine, eu precisaria de uma bolsa de no máximo 1kg para estar dentro dos conformes. Terminei encontrando uma bolsa super bacana na Qualipet, loja que tem tudo para animais aqui na Suíça. Juca coube direitinho (deitado) dentro da bolsa. A bolsa por sua vez não pode ser qualquer uma. Tem que caber embaixo da cadeira da frente no avião (onde colocamos os pés). Então tem que ter no mínimo as dimensões específicas para caber. Geralmente tem avisando se é para viagens e os vendedores sabem informar melhor.

Pronto!

Esse é o resumo do que precisa legalmente para sair e entrar de novo na Suíça, ir pro Brasil passar as férias e tal. Já lá no Brasil há outras regras do Ministério da Agricultura, mas como o cachorro está entrando lá só de férias e depois saindo, o que prevalece é a documentação suíça. Lá no Brasil é exigida também a vermifugação 15 dias antes da viagem. Nós pegamos um atestado de saúde da veterinária apenas para ter alguma coisa em Português. E na hora de embarcar o funcionário da TAP não tinha certeza se precisaria da documentação e os requisitos do Ministério da Agricultura brasileiro. O supervisor lá interviu e como estávamos com toda a documentação certinha da Suíça com o cartão de vacina e todos os carimbos e o atestado de saúde da veterinária brasileira, deu tudo certo.

Eu ainda comprei pra levar na viagem uns tapetinhos específicos pra ele fazer xixi. Ele não fez dentro da bolsa (ainda bem!), mas como fizemos conexão em Lisboa, fomos no banheiro e lá eu coloquei o tapete no chão e Juca fez xixi lá. O tapete absorve totalmente o xixi e nem deixa cheiro, uma maravilha, recomendo muito.

Durante a conexão, eu tirei ele da bolsa e andamos pelo aeroporto de Lisboa normalmente. Ele se comportou super bem e não deu trabalho nenhum!

Antes de ir eu ainda cortei o pelo dele para que ele ficasse menos pesado e coubesse com mais facilidade na caixa. E lá no Brasil com o calor que fazia, cortei mais curto ainda e coloquei a roupinha também para ele não sentir frio no avião. Dentro do avião mesmo ele não deu o menor trabalho. Às vezes eu até olhava pra ver se ele tava respirando porque eu só via ele se mexer de vez em quando, não chorou, não latiu, dormiu o tempo inteiro.

Foi ótimo ter podido levar Juca pro Brasil com a gente, mesmo com toda a burocracia, toda a família ficou feliz em reve-lo e valeu muito a pena.

Como já falei nos posts passados, eu fiz um video da viagem. O Juca mal aparece porque ele sempre estava muito quietinho. Mas para quem ainda não viu, clica aqui: https://youtu.be/MiXEKvXRxHo

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