Bielorrússia

junho 18, 2017

Essa minha vontade de conhecer o mundo não tem muito limite, eu acho. Quando se fala de história, sou toda ouvidos. Se é paisagens lindas, levo a melhor câmera. Se é a realidade, quero chegar o mais perto possível. Eu quero mesmo é conhecer o que existe no mundo, entender as diferenças, ver com meus próprios olhos. Mas isso não é coisa que dá para explicar num post assim fácil com palavras, nem é facilmente entendível para todo mundo, tenho consciência disso. Quando visitei a Rússia em 2015, já foi demais para algumas pessoas entenderem que eu fui só eu e meu filho, sem nenhum outro adulto. Então depois de receber muitas reações, deixei de tentar explicar, e simplesmente ir fazendo o que tinha vontade mesmo. A sensação de liberdade e conhecimento é impagável. Não há nada igual no mundo.

Ao conhecer a Estônia, a Ucrânia em anos passados e finalmente a própria Rússia há 2 anos atrás, fui conhecendo mais de perto como foi que a União Soviética dividiu parte do mundo na década de 80. Talvez nós morando no Brasil não tenhamos sentido tanto do eco do regime político que acontecia por ali, nem eu sou fã de política para ir atrás de saber disso. Mas mesmo os não interessados em política como eu, se se interessar por história, não pode fechar os olhos para as ex repúblicas soviéticas.

A Bielorrússia, ou Belarus, foi uma delas. Tendo a oportunidade de ter estado lá, pude ver com meus próprios olhos que Minsk é como se fosse uma extensão da Rússia. É como se eu estivesse em outra cidade, além de Moscou e São Petersburgo. Veja bem, enquanto os países vizinhos a Bielorrússia, como os bálticos que terminei de visitar todos mês passado, a própria Polônia também que faz parte da União Europeia, tentam abraçar a reforma política e econômica que se inclinam para o regime ocidental, ou capitalista podemos dizer, ela se mantém mergulhada no passado. Bom, a Ucrânia não, mas a Bielorrússia é muito mais soviética do que a Ucrânia. Aliás, me perdoe, depois de visitar aquele “bloco” ali de países, é impossível não comparar um com o outro.

Mais soviética, o que quer dizer isso? Para mim é menos turística, mais fechada, menos preparada para lidar com estrangeiros. Até mais que a Rússia, que mesmo hoje estando minimamente preparada para mostrar ao mundo o que têm de melhor, é a cabeça do que foi o comunismo. Mas me perdoem a falta de introdução, ou o excesso de analogias. Belarus merece a sua própria introdução. Mas é que eu acho que nem os próprios estudantes das escolas do país hoje em dia conseguem ter um discernimento completo do enigma do passado e salvar o mistério que encobre a história de lutas, conflitos, resistência e muita repressão.

Acredito que o que se conta hoje nos livros de história e guias de viagens não é nem a metade do que a Bielorrússia sofreu na mão de uma ditadura severa que determinava como tudo deveria ser, e mal deixava as pessoas terem opiniões. Até 2014 o índice de democracia na Bielorrussia é o menor do continente europeu. Daí se tira várias imagens que se dão ao país de falta de liberdade, falta de liberdade de impressa e repressão geral até os dias de hoje, infelizmente.

Mesmo para quem não conheça ou não saiba onde fica, o nome do país em si já dá uma dica, que tem algo a ver com a Rússia. Na verdade Belarus significa “White Rus”, que é a Rússia branca, e há várias teorias para esse nome, do porquê Rússia branca. Uns dizem que é para descrever parte das terras do país, outros dizem que é por causa da vestimenta branca usada pela população eslava local.

Seja como for, eu e o Edi estivemos 3 dias em Minsk, capital da Bielorrússia e foi uma ótima experiência. Na verdade, visitar o país agora não estava nos meus planos nem na minha lista de prioridades. Mas graças à Germania Airlines que cancelou nosso vôo de volta de Vilnius para Zurique, eu tive que reorganizar tudo e como não havia mais vôo direto da Lituânia para a Suíça, tive que escolher qual lugar fazer uma conexão na volta. As opções eram Kiev, Istambul, Cracóvia, ou Minsk. Tirando Minsk, eu já conhecia as outras cidades. Então já que teria que fazer uma parada na volta, resolvi fazer uma parada de 3 dias e aproveitar para conhecer Belarus.

Sim, tive que adicionar mais dias à viagem, aumentar o orçamento e me reorganizar. Deu um trabalhinho extra porque há pouquíssimas informações sobre o país. Porém eu faria tudo de novo. Foi ótimo! Minsk é uma cidade enorme, tem 2 milhões de habitantes, eu vou falar mais sobre ela no próximo post. Escolhi ficar hospedada num hotel próximo a uma praça principal da cidade, a Praça da Independência, pois lá não é muito fácil assim de andar pra cima e pra baixo. Então foi ótimo sair do hotel e ter pelo menos um lugar assim para passear que não fosse só predios colossais ao redor e avenidas enormes. Contratei um guia para nos mostrar o resto da cidade no último dia e assim conhecer mais de perto a história através de um local.

Como sempre fiz videos da viagem, e enquanto o post sobre Minsk não sai, conheçam mais da Bielorrussia, com uma pitadinha de drama e aventura:

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Um Comentário
  1. marcy

    terça-feira, junho 20, 2017 at 8:40 pm /   Reply

    Liana

    Seus relatos são ótimos mainly porque voce gosta de História . Agora não entender a razão de ir a Russia sozinha? então quem é só não viaja, falando outras línguas e não sendo criança? Cada uma!
    Assisti onde moro um ballet folcórico da Bielorussia e achei ótimo; as musicas,as vestimentas com lindas cores.
    Sabia que eram sofridos mas não imaginei que ainda fossem.
    Abçs

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