Minsk, Belarus

junho 19, 2017

Chegar em Minsk foi assim um feito. Eu esqueci de comentar no post anterior, mas passaporte brasileiro para entrar no país não precisa de visto, aliás um dos poucos. Porém é preciso ter um seguro saúde especial de viagens, especificando que a Bielorrussia está coberta no seu seguro. Isso você precisa mostrar na polícia federal, lá na alfândega quando entra no aeroporto e tem que mostrar o passaporte e tal. Vou falar mais dessa parte prática no próximo post. A gente já tinha acabado de passar por um leve sufoco em Vilnius, quando a alfândega levou um tempo para entender o que dois passaportes brasileiros estavam fazendo na Lituânia, vindo da Letônia, sem registro de entrada porque tínhamos ido de ônibus! Enfim. Deu tudo certo. O transfer estava esperando a gente no hall de chegadas do aeroporto de Minsk e fomos no fim do dia em direção ao Hotel Minsk.

 

O aeroporto é bem longe do centro da cidade, aliás Minsk é um mundo! Ruas enormes, largas, com 4 pistas para ir, 4 para voltar. Lá na cidade mesmo, aqueles prédios colossais enooormes um colado no outro me dava a impressão de que eu estava na Rússia novamente. No dia seguinte saímos do hotel de manhã cedo e fomos “explorar”. Entre aspas porque em Minsk para explorar a pé você tem que estar muito fit. Haja andança. É impossível. Não tem um centrinho assim antigo para pedestres. É uma cidade grande como Moscou.

Por isso reservei nossa estadia num hotel que fosse perto de alguma coisa, para termos para onde ir quando saíssemos do hotel e não ficar sempre dependendo de carro, etc. O hotel ficava então do lado da Praça da Independência, ao lado da sede do governo, com uma estátua gigante do Lenin, o antigo lider, ou melhor, o lider da antiga União Soviética. Andamos por ali, tirei várias fotos. Até pedi para tirar foto com um guarda, mas ele não falava inglês, disse alguma coisa que eu não entendi, só entendi que não quis tirar foto. No dia seguinte quando o Andrei, nosso guia, explicava o significado de cada prédio, órgão, etc. mencionou que no país era proibido tirar foto de prédios oficiais do governo. Ha! Por isso a falta de simpatia do guardinha. Pena que não falo russo.

Aliás é quase a mesma coisa, russo e bielorrusso. Deve ser mais parecido do que o nosso português e o português de Portugal, pelo que pude entender da explicação do guia e de um colega do trabalho que é russo. Mas então voltando ao nosso dia em Minsk, andando lá pela Praça da Independência, fotografando prédios que eu não sabia o significado, percebi que quase não havia pessoas na rua. Sim, algumas atravessando as ruas perpendiculares, entrando e saindo de carros estacionados, mas fora isso, nada. O Edi estava adorando correr por aquela praça enorme e sem passar carro. Mas aí eu resolvi arriscar e descer uma das passagens indicativas de metrô para ver o que tinha lá embaixo.

Pronto. Tava respondida minha pergunta. As pessoas estavam ali. E aí minha ficha caiu. Ora, um país onde a temperatura cai tanto no inverno tem que ter uma infra estrutura viável para as pessoas “passearem”. Lá embaixo era não só a estação de metrô como um shopping center subterrâneo enorme com vários andares para baixo. Andando lá em cima nunca daria para imaginar sobre o tanto de coisa que estávamos andando.

Consegui me virar na mímica e interpretando figuras e pedir um menu no Burger King no primeiro dia. Maior orgulho, não foi fácil… As pessoas não falam Inglês não. A grande maioria não fala. O nosso guia do segundo dia fala muito bem e fiquei surpresa. Tendo passado por tanta repressão e sem acesso ao resto do mundo por tanto tempo, é na verdade até difícil entender como a população mais idosa poderia ter a chance de falar inglês, não é mesmo?

Mas descendo a avenida do nosso hotel que até hoje eu não sei pronunciar porque eu não falo russo, é a avenida da Independência, vamos dizer em português. É gigantesca. Primeiro que não dá para atravessar facilmente de um lado para o outro. Como eu disse, são várias pistas pra ir e várias pra voltar, com um fluxo de carros intenso o dia inteiro. Em alguns pontos dá, em outros, temos que descer e atravessar subterraneamente. Total aventura, Edi adorou a invenção.

Passamos um bom tempo andando nessa avenida, tentando alcançar com os olhos o fim dos prédios lá no alto, entender as colunas grossas do prédio imenso da KGB, imaginar o que já não se passou por ali. O Mc Donalds e o Burger King foram as coisas mais conhecidas do mundo atual que eu pude ver por lá. Por mais aterrorizante que possa ser estar num lugar sem quase nada que eu consigo reconhecer de outros lugares, é inspirador ver que ainda existam lugares que consigam se manter tão fiéis à sua cultura. Restaurantes locais há de monte. Experiência completa com menu e conta em russo, garçons e garçonetes sem falar inglês, um verdadeiro teste de sobrevivência.

Minsk não é a cidade mais turística do mundo, mas é a capital do país. Se eu mal consegui me virar lá, imagine fora dela. Por isso resolvi me contentar e não ir para o interior e correr o risco de ficar totalmente perdida e incompreendida com o Edi no meio. Nossa segurança em primeiro lugar.

A Praça da Vitória você vê se conseguir andar muito a avenida da Independência. Olhando assim não tem nada demais e parece ser apenas um grande giradouro onde não pára de passar carros. Mas ali está a chama que não se apaga e lembra os soldados que perderam a vida lutando pela vitória da União Soviética contra o Nazismo, que deu fim à 2a Guerra Mundial. No centro há o monumento da vitória, feito de granito de 3 metros de altura, construído em 1954. Os recem-casados em Minsk costumam tirar fotos nessa praça.

No 2o dia no tour com o nosso guia, fomos mais longe do centro, e subimos até o 23. andar da Biblioteca Nacional de Belarus, um prédio super moderno e diferente. Mas terminei vendo pouco da vista da cidade lá do alto, porque a chuva que estava para chegar o dia inteiro chegou justamente quando estava lá. Fomos para o cafe da biblioteca esperar a chuva passar, e continuar nosso passeio. Andamos boa parte de carro enquanto o guia contava mais da história do país, que não me pareceu pobre, mas ao saber que um salário médio gira em torno do equivalente a 200 dolares, realizei ali o quanto a Bielorrussia está longe de ser um país democrático e justo.

É fato que o custo de vida também não é alto, uma refeição de carne para mim e para o Edi, com vinho e sobremesa custou o equivalente a 20 euros. Jamais na Suíça um prato de carne vai custar só isso, imagine uma refeição inteira. Estávamos também por exemplo no hotel Minsk, que eu já comentei acima, um hotel 5 estrelas numa localização excelente, e a nossa estadia nem custou assim tão caro. Foi uma viagem bem barata pra mim que ganho em franco suíço. No próximo post falo mais disso, sobre essas dicas práticas de lá.

Foi muito bom ter usado a oportunidade do vôo perdido de Vilnius para Zurique para acrescentar a Bielorrussia no roteiro e poder conhecer Minsk, sua capital. Acredito que em outra época do ano que não fosse essa, isso não seria possível, então calhou de ser a hora certa mesmo. O inverno por ali é tão rigoroso quanto na Rússia, então pode esquecer ir lá no início/fim do ano.

Acredito que mesmo os lugares pouco falados, conhecidos ou famosos mereçam uma chance de conhecimento. Todos têm uma história para contar e a história da Bielorrussia fez parte da história do que fez o mundo ser hoje o que é. Sou muito grata de poder ter tido a oportunidade de estar lá e conhecer de perto. E melhor ainda poder passar aqui um pouco das minhas impressões.

Comentários Facebook

Related posts:

Comments are closed.