Riga, Letônia

junho 5, 2017

A AirBaltic é uma linha aérea letã de baixo custo, ou seja, as passagens são bem baratinhas em comparação às grandes empresas aéreas, mas você tem que pagar a parte por alguns serviços como bagagem além da bagagem de mão, reservar assento, lanches, etc. Foi com ela que fizemos o vôo Genebra-Riga. Chegando ao aeroporto, peguei nossa mala “paga” e ao entrar no saguão de chegadas do aeroporto, vi uma plaquinha com meu nome. O transfer que eu reservei nos levou até o hotel que eu havia reservado, o Wellton Hotel, um hotel boutique bem legalzinho próximo ao centro antigo de Riga.

Fim de maio já é alta primavera, não faz mais aquele frio polar ainda mais acentuado com a brisa do mar báltico. Então apesar do ventinho fresco, dava para andar só de camiseta no sol ou na sombra com um casaquinho. Já era fim da tarde, saímos do hotel só para conhecer os arredores, sabe, fazer reconhecimento da área. O hotel fica perto do centro antigo de Riga, que é pequeno, dá para explorar todo a pé. Então chegando à Praça da Catedral, fizemos um passeio num trenzinho pelo centro antigo que só custou 5 euros (Edi não pagou) e durava meia hora.

Foi o suficiente para ter um crash course na história da Letônia e de Riga e ter em mente o que eu queria visitar no dia seguinte. Jantamos e fomos dormir. O segundo dia em Riga era o dia planejado para realmente conhecer a cidade, perambular, bater perna, se perder, ir a todos os pontos principais da cidade antiga, passar o dia inteiro tirando foto, ficar exausto. E foi assim mesmo. O tempo ainda colaborou muito e fez um lindo dia de sol.

Tendo agora já conhecido todas as capitais dos Países Bálticos, posso dizer que Riga é a mais bonita. É inevitável a comparação. Tallin apesar de ter adotado o Euro mais cedo, ainda tem bastante influência dos ortodoxos. Vilnius é a menos europeia de todas. Riga é a mais europeia, porem bem menos comercial que a maioria das capitais europeias. O centro antigo não é repleto de lojas, é cheio de bares e restaurantes e tem uma atmosfera mais histórica e aconchegante do que qualquer outra coisa.

Andando apenas pelo centro antigo, é difícil de acreditar que Riga foi dominada por forças soviéticas por cinco décadas. Já mais fora do centro percebe-se no ar e nas arquiteturas. Porém o centro histórico sofreu muitos danos tanto durante a ocupação nazista, quanto durante o domínio soviético. Foi reconstruído com o intuito de resgatar a identidade e cultura letã e atrair turistas. Deu certo. Desde a entrada da Letônia na União Europeia, Riga tornou-se um vibrante destino turístico, seguro, barato.

Olhando para as outras capitais, não há por exemplo vôo direto da Suíça para Tallin nem Vilnius, mas para Riga, sim. Uma caminhada pelo centro medieval da cidade antiga já vale a pena a viagem. Não se trata de uma cidade que parou no tempo nem despreparada turisticamente falando. Riga é morderna e se esforça muito para se livrar da imagem de colônia soviética. Pode ir tranquilo, e sentir com seus próprios olhos a atmosfera incrível de Riga.

Por muitos séculos Riga era somente um centro pequeno cercado por uma muralha na margem do rio Daugava. No século 19 os muros foram demolidos e os prédios que lá hoje se veem em grande maioria são réplicas do que foi destruído no passado em estilo Art Noveau. A principal atração de Riga é o seu centro histórico, mas lá há diversas construções interessantes a serem observadas, como a Catedral de 1211 e a praça ao redor com prédios imponentes do que era a empresa de rádio letã e um banco local.

A Praça da Prefeitura é certamente o destino preferido de todo turista que vai a Riga. Até 1877 quando aconteceu uma reforma no Governo, esta praça era o centro administrativo da cidade. A sede da Prefeitura data de 1334. Nesta época ali funcionava um mercado de rua e aconteciam festivais. A Casa dos Cabeças Pretas (House of the Blackheads) é um dos prédios mais bonitos da praça todo cheio de degraus. Foi totalmente destruído em 1941 com os bombardeios da Segunda Guerra mas reconstruído em 1999. Tratava-se de uma espécie de sede de guildas locais, ou seja, lideres e comerciantes que determinavam as coisas por ali. Os Blackheads se mandaram de Riga quando Hitler mandou os alemães voltarem para casa na Segunda Guerra, e a União Soviética terminou de destruir tudo sete anos depois.

Muito triste mas ao mesmo tempo muito bonito poder ver tudo em pé novamente homenageando a história e o passado de Riga, não é verdade? É incrível ver uma cidade com uma atmosfera tão pacífica, tranquila e amigável e saber de todo seu passado. Imaginar tudo que tiveram que enfrentar para estarem aonde estão. É de tirar o chapeu.

A Igreja de São Pedro é um outro ponto turístico bem importante de Riga. Data de 1209, mas foi aumentada ao longo dos séculos seguintes. E mesmo com um passado turbulento ela está ali de pé. Se tornou luterana no século 16, sofreu um incêndio no século seguinte. O que vemos hoje ali é grande parte reconstrução de 1973. Em volta se vê uma parte do que sobrou da muralha que um dia cercou o centro antigo. Ao redor da igreja havia uma feirinha vendendo souvenirs locais e um homem tocando baixo. Tocou até Aquarela do Brasil…

Em uma das fronteiras entre o centro antigo de Riga e o resto da cidade há o Monumento da Liberdade, erguido em 1935, e é o símbolo da independência letã. O interessante é que logo depois a Letônia passou a fazer parte da União Soviética e as autoridades não derrubaram a estátua mas proibiram o povo de colocar flores lá como costumavam fazer, e também colocaram uma estátua de Lenin bem ao lado. Com a real independência da Letônia em 91, a estátua de Lenin se foi mas o Monumento da Liberdade ficou.

Tendo visto isso tudo já era o fim da tarde, voltamos ao hotel para dar uma descansada. Havíamos sido upgradeados de quarto porque o wifi não funcionava de dentro do quarto que estávamos e eu reclamei, claro. Não só mudamos para um quarto bem mais espaçoso como nos deram ainda um voucher para jantar no restaurante ao lado do hotel. Então jantamos e depois subimos para ir dormir. Interessante também é que quando subimos já era quase 10 da noite e ainda tinha luz do sol! Mostrei no video de Riga, veja abaixo.

Era praticamente nosso último dia em Riga também, porque no dia seguinte íamos pegar o ônibus para Vilnius, capital da Lituânia, e não íamos mais voltar para a Letônia. Então encerrava basicamente ali a nossa estadia em Riga. Eu adorei conhecer Riga. E o Edi foi um verdadeiro companheiro de viagens. Dessa vez até fui surpreendida com ele querendo tirar foto e até tirou umas fotos minhas bem bacanas!! Mostrei no Instagram durante a viagem (@elaeamericana_liana).

Bom, então o próximo post falo da viagem de ônibus até a Lituânia e como foi nossa estadia por lá. Aguardem!

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Um Comentário
  1. Sandra

    quarta-feira, junho 7, 2017 at 4:01 pm /

    Muito interessante o seu relato Liana! Que história!! Eu já havia cogitado uma vez uma viagem para Riga e tb para outros países dessa região, mas acabei trocando para outros destinos. . Vejo agora que eu tenho que conhecer, rs.. Adorei o post!