Vilnius, Lituânia

junho 9, 2017

A Lituânia é o maior dos três países bálticos e pelo que pesquisei antes de ir há paisagens lindas longe do centro da capital. Não que Vilnius não seja atraente, pelo contrário. Mas há bastante o que ver por lá. Como falei no post introdutório sobre a Letônia e a Lituânia, houve bastante influência polonesa na Lituânia nos séculos passados. É bem perceptível as diferenças entre Riga e Vilnius, principalmente saindo de uma e chegando diretamente na outra, que foi o que fizemos.

Depois da Primeira Guerra Mundial e depois que a Lituânia tentou ter sua independência reconhecida, em meados de 1918, metade da população era de judeus e a outra falava polonês. Vilnius sempre foi a capital história da Lituânia, mas nessa época com o governo enfraquecido, Kaunas virou a capital e assim permaneceu até 1939. Novamente a Lituânia tentou declarar sua independência em meados de 1940 mas sua estabilidade foi novamente ameaçada pelos tempos sombrios de poderes entre Alemanha e Rússia na Europa. Muitos judeus perderam a vida ou saíram da Lituânia com o ataque do nazismo. E quem sobrou por lá teve que se render às forças soviéticas que dominaram os anos seguintes.

A Lituânia foi a primeira das repúblicas soviéticas a declarar independência, em 1990. Vilnius foi palco de muita luta de resistência soviética. Vilnius hoje é uma capital europeia, com uma grande oferta de entretenimento, restaurantes, universidade, igrejas e uma vida normal. A capital recuperou muito de seu charme, embora eu ache que ela seja a capital báltica menos europeia de todas. Embora o meu guia de viagens diga que dá para explorar a cidade a pé, eu achei os pontos turísticos bem distantes uns dos outros e complicado pra fazer tudo a pé.

O centro histórico de Vilnius é patrimônio da Unesco desde 1994 mas não é compacto como o de Riga. Nós ficamos hospedados no Hotel Neringa, que fica na avenida Gedimino, a principal da cidade.  Aliás é interessante, essa avenida mudou de nome várias vezes de acordo com o estado político atual do país. Já se chamou Lenin, já se chamou alguém importante da Polônia, hoje em dia ela se chama assim devido ao grão-duque Gediminas que foi basicamente o fundador da cidade.

Andando até o fim dessa rua, estávamos na Catedral de Vilnius, que é o principal cartão postal da cidade e ponto de partida de vários tours e passeios. Lá pegamos um daqueles ônibus hop on hop off que você entra e sai a hora que quer e pega o próximo, e foi bem prático para chegar nos pontos que eu queria ver. Principalmente com o Edi do lado que não aguenta andar o dia inteiro sem parar, e também foi bom porque no dia que andamos por Vilnius estava bem quente!

Eu fiz um vlog dos nossos dias em Vilnius e um resumo dos passeios:

Basicamente rodamos a praça da Catedral algumas vezes. Ela não é apenas uma catedral, é um monumento em conjunto com o campanário, que é esta torre alta com um sino no topo que fazia parte das fortificações. Vilnius ficou totalmente fechada no século 14 contra as cruzadas, como falei no post introdutório.

Essa praça é bem grande, gastamos um bom tempo aí reconhecendo os arredores. Por trás há um museu que é sobre os grandes duques da Lituânia, que aliás era a residência oficial deles. Ao lado oeste da praça e da catedral, há uma estátua do grão-duque Gediminas que fundou Vilnius. Ela é de 1996 e representa o resgate da identidade da Lituânia. Mesmo tendo passado tanto tempo na mão de poloneses e russos, os lituanos têm a sua própria história, origens e idiomas.

Embora todos tenham que aprender russo na escola (hoje em dia podem escolher entre russo, alemão ou inglês), o lituano é o idioma oficial, e como falei no post introdutório, ele é da família indo-europeia e é um dos idiomas mais arcaicos do mundo ainda falado hoje em dia. Os lituanos não se entendem com os letãos, o idioma em comum entre eles é o russo. E nós turistas que viemos do ocidente temos que força-los a falar inglês, coisa que está virando mais comum com a modernidade, mas pessoas mais velhas e menos favorecidas nunca aprenderam inglês.

Ainda mais a oeste dessa praça, atravessando a avenida principal que contorna a praça da Catedral, estamos na rua Pilies, uma rua totalmente turística e um must na andança por Vilnius. Isso dá pra fazer sem ônibus só andando mesmo. A Rua Pilies representa o que há de melhor na cidade velha de Vilnius. Ruas estreitas, bares, cafes, um ótimo lugar para ver e explorar a atmosfera do centro antigo da capital. Ali foi o único lugar que vi lojas de souvenirs, músicos tocando alguma coisa, sabe, aquele ar europeu que já conhecemos.

Dali se tem uma ótima visão do Castelo de Cima. Não fomos até lá no alto mas certamente de lá se tem uma ótima perspectiva da cidade. O que sobrou do castelo de Vilnius vê-se de diferentes pontos da cidade. A bandeira lituana hasteada no alto é um marco bonito.

Mais afastado do centro de Vilnius mas não taaanto assim, chegamos a Town Hall Square que é a Praça da Prefeitura. Ali também gastamos um bom tempo. A arquitetura barroca é característica da Lituânia e ali se vê bem isso. A igreja de São Casimiro é o melhor exemplo disso, lindíssima decorada e rosa, assistimos parte de um concerto que acontecia quando a visitamos. Lindo. Linda. O Edi ficou hipnotizado lá dentro.

Almoçamos um estrogonoff em um dos restaurantes espalhados pela calçada da praça, muito agradável e muito em conta também. Aliás tanto a Lituânia quanto a Letônia tem preços bem accessíveis. Comparados à Suíça então… uma maravilha. Comemos sempre muito bem e gastei muito pouco.

Subindo a rua da igreja de São Casimiro daremos de cara lá em cima com os Portôes da Alvorada. Centro de peregrinação, marca uma passagem para a cidade velha com uma pintura em prata da Virgem Maria, que dizem possuir poderes milagrosos. Aliás eu me pergunto, não é lindo a Lituânia ter estátua de seu grão-duque fundador, igrejas barrocas e imagens da Virgem Maria e ter sobrevivido ao comunismo soviético? Sem dúvida uma característica admirável e marcante do país. Achei sensacional.

A Praça da Prefeitura é uma área bem legal para passeio, o Edi gastou muita energia por ali hehehe. Dali pegamos o ônibus hop on hop off novamente e demos um passeio. Passamos pelo museu da KGB, pela igreja de São Pedro e São Paulo que já é bem distante do centro. E depois voltamos para o centro, próximo à Praça da Catedral. Estava havendo um festival folclórico na cidade e havia várias pessoas vestidas com roupas típicas da Lituânia. Depois eu vi que o festival era mais internacional e até teve uma apresentação sobre a Suíça e o Alphorn, o instrumento dos alpes, bem na hora que estávamos passando por lá! Foi bem legal o que conseguimos ver, mas estava um solzão quente no fim da tarde, então saímos do festival e fomos andando mais.

Fomos bater nos jardins do palácio presidencial de Vilnius. Uma área também bem legal mas com bastante segurança e tal. Tinha pouca gente na hora que fomos, depois descobri que já estava fechando. Não entramos nos prédios, só ficamos pelos jardins, o Edi mais uma vez gastou bastante energia por lá. Aliás fiquei surpreendida com ele, meu Deus, o tempo inteiro andando e correndo, sempre sorrindo, feliz, que companheirinho perfeito de viagens eu arrumei. Até eu já tava cansada de ficar andando pra cima e pra baixo e o Edi nada.

Bom, mas aí depois disso, não vimos mais nada de novo. Jantamos, voltamos para o hotel e foi-se mais um dia. No dia seguinte já tinhamos visto praticamente tudo que mais queria ver na cidade, então fizemos um passeio para outra cidade da Lituânia, a segunda cidade mais visitada de lá: Trakai e seu lindissimo castelo. Mas isso é assunto para o próximo post.

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2 Comentários
  1. Roberto Caldeira Moura

    sábado, junho 10, 2017 at 12:25 am /

    Parabéns o conhecimento deve ser repassado. Muito interessante os trajes. Espero um dia poder curtir também lugares tão bonitos que você esta nos proporcionando.

  2. Maria Célia/Cissa

    segunda-feira, junho 12, 2017 at 1:08 am /

    Legal demais, Liana, você é uma pessoa animada, disposta, e o Edi, que gracinha de criança, como você disse, um companheiro e tanto.
    Gostei muito da matéria sobre lugares tão inusitados, mas muito interessantes.
    Fotos lindas.
    Beijo.